Depoimentos

Cristiane Bittencourt - 48 anos

Operada em 06 de outubro de 2009

Há alguns anos atrás resolvi me pesar em uma balança de um corredor de um hospital, onde fui visitar um ente querido. Coisa que até em consulta médica me negava fazer. Como não tinha ninguém olhando respirei fundo e subi naquela maldita, e até agora lembro o susto que levei. Eu sabia que estava muito mais gorda, de novo, pelo "povo" criticando, mas não me preocupava (ou fugia de saber) o quanto estava pesando. E pior, já estava assim há quase dois anos. Como fazia desde os 13 anos, mais uma vez fiz dieta. Em três semanas só 300 gramas, que humilhação. Logo depois escutei meu corpo cantando com uma sanfona para mim, aquela música do Roberto Carlos chamada "Eu voltei", bem neste pedaço: "E voltei, eu voltei agora é pra ficar. Por que aqui,aqui é o meu lugar. Eu voltei pras coisas que eu deixei, Eu volteiiiii...". E segue reeducação alimentar, dieta e etc. E a sanfona corporal tocando irritantemente a mesma música. Eu já pensava na possibilidade da cirurgia bariátrica, mas achava meio impossível, pois não era gorda mórbida. Tempos depois fui fazer uma consulta costumeira com minha cardiologista. No final da consulta ela disse, mais uma vez, que minha pressão alta tinha como causa minha obesidade. Fato que outros especialistas já tinham dado como causa de outras comorbidades que eu tinha. Eu perguntei sobre a cirurgia bariátrica. Ela disse que eu atendia o perfil da cirurgia, pois eu tinha obesidade tipo II mais comorbidades. Eu tinha uma lista de comorbidades há muitos anos como: hipertensão, apnéia do sono, esofagite péptica (refluxo), colesterol e triglicerídeos altos, pré-diabética(resistência insulínica), dores articulares, dificuldade de locomoção causada pelo excesso de peso somado ao pé muito cavado, obesidade central, esteatose hepática e por aí vai. Só para dar um exemplo do numero de medicamentos e comprimidos que eu tomava para controlar minhas comorbidades, só para hipertensão, eram quatro medicamentos somando sete comprimidos por dia. Lembrando, só para hipertensão. Minha bolsinha de remédio era gordinha como eu. Aonde ia levava minha farmácia. Tomei coragem no início de 2009 e fui ao meu plano de saúde procurar informações sobre, e recebi uma lista de médicos que faziam esta cirurgia, tendo como referência do plano, o Dr. Frota. Dos três que fui ele foi o que me passou mais segurança, profissionalismo, ética e competência. Para dar um exemplo básico de como ele age, na primeira consulta ele ficou mais de uma hora e meia me explicando tudo e tirando todas as minhas duvidas, sobre a cirurgia. Médico de plano ficando este tempo todo com o paciente!?!?!? O dia 14 de abril de 2009 ficou marcado para sempre. A partir daí começou a minha saga, até o dia 6 de outubro de 2009. Foram muitos empecilhos pessoais, que foram cada vez mais adiando minha cirurgia. Foi uma guerra e agi como uma guerreira, pois sabia o que eu queria. Com a realização da cirurgia nasceu minha primeira mudança. Pela primeira vez na minha vida eu conseguia realizar um sonho, eu quebrei paradigmas. Eu lutei e cheguei lá. Hoje eu não tenho mais a "síndrome do fracasso", pois depois deste sucesso, sei que acreditando eu chego lá, mais cedo ou mais tarde. Medo de encarar a cirurgia eu não tive, porque esta não foi a primeira que fiz e nem será a última. Vem aí à segunda parte da saga, as plásticas. Não tenho mais de 90% das comorbidades e ganhei até um brinde, o desaparecimento da minha rinite alérgica. O único medicamento que ainda tomo é a metade de uma dose de um comprimido para pressão, de quatro para um e de sete para meio o lucro foi grande. Os outros medicamentos doei para quem precisava.

Hoje já atingi minha meta, mais não foi fácil "suportar" o primeiro mês. Toda vez que penso em sair da linha me lembro do sufoco que passei. Hábitos ruins são que nem vício é vencê-los um dia por vez. Quem diria que eu conseguiria reeducar minha alimentação, sentir falta de comer legumes, ficar quase um ano sem beber aquele refrigerante que eu bebia no lugar da água, me deliciar com frutas e barra de cereais. Controlar meu vício por chocolate. Comer um pedaço pequeno de chocolate, raramente, sentindo e tendo consciência que o prazer de comer um pedaço é o mesmo de comer um quilo, então ficamos com um pedaço pequeno.Meu paladar mudou muito, para melhor com certeza. Tenho algumas restrições alimentares que é diferente para cada um. Gorduras em geral me dão de pequenos a grandes dumpings. Massa não desce. Carne como se bem mastigada. Frango prefiro evitar. Mas ainda tenho que controlar minha mastigação, se desconcentro ou como mais nervosa entalo na certa.

NÃO TEM PREÇO QUE PAGUE:

. Escolher a roupa que quero ter e não ser escolhida por ela, por falta de opção de tamanho. (As paqueras também idem, somando padrão de qualidade baixo, rs!)
. Entrar em uma loja e não ter as vendedoras me olhando com cara: "O que esta gorda acha que pode comprar aqui".
. Não ser olhada de cima a baixo ("Esta gorda vai sentar logo aqui!") quando sentava ao lado de uma pessoa no ônibus ou metro.
. No meio do emagrecimento "discutir" com uma vendedora carinhosa e paciente que meu número era 48 e ela dizendo que era 42.
. Sair do manequim 54 para o 38.
. Andar sem dor nos pés, voltar a caminhar na praia com o sol quente no rosto. Ter disposição para subir rampas e escadas.
. Finalmente, auto-estima no ponto, saindo sempre bonita, maquiada e poderosa.
. PELA PRIMEIRA VEZ ME SENTIR REALMENTE BONITA POR DENTRO E POR FORA.

Nos próximos anos vou dar valor às dores e às delicias que passei durante este processo. Assim afastarei para sempre o fantasma da obesidade, pois tenho a certeza que para me manter assim, eternamente, só dependerá de mim e da minha garra.

Dr. Frota fez a parte dele com maestria, competência e HUMANIDADE. A este ser que tantas vidas modificou, para melhor, somo ingredientes especiais como: Ele é um paizão, é profissional e amigo quando é necessário ou precisamos. Ele não abandona nunca seus pacientes. OBRIGADA POR TUDO! OBRIGADA por colocar na minha boca o gosto da felicidade e superação.

Cristiane Bittencourt, antes da cirurgia Cristiane Bittencourt, depois da cirurgia
Cristiane Bittencourt, antes da cirurgia Cristiane Bittencourt, depois da cirurgia